Foto: Rodrigo Romeo/Alesp
Morreu nesta terça-feira (15) Maria Amélia de Almeida Teles, aos 81 anos. Conhecida como Amelinha Teles, é referência histórica na resistência à ditadura militar brasileira e na luta pelos direitos humanos e das mulheres. Jornalista, escritora e feminista, Amelinha construiu uma trajetória marcada pela defesa da democracia, da memória, da verdade e da justiça.
Nascida em Contagem (MG), Amelinha iniciou sua militância política ainda jovem e participou da resistência ao regime militar. Em 28 de dezembro de 1972, foi presa em São Paulo e levada ao DOI-Codi, onde foi submetida a sessões de tortura. Amelinha também testemunhou o assassinato de seu companheiro de militância, Carlos Nicolau Danielli, nas dependências do órgão de repressão.
Após a ditadura, sua atuação esteve diretamente ligada à defesa da democracia, à preservação da memória das vítimas da violência de Estado e à luta contra a tortura. Amelinha integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e atuou como assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva.
Sua trajetória foi igualmente marcada pela defesa dos direitos das mulheres. Em 1984, participou da fundação da União de Mulheres de São Paulo e, durante a Assembleia Nacional Constituinte, integrou o movimento que atuou pela inclusão dos direitos das mulheres na Constituição Federal de 1988.
Em 1994, Amelinha idealizou o projeto Promotoras Legais Populares (PLPs), iniciativa de formação de mulheres em direitos e cidadania que se expandiu para diferentes regiões do país. A iniciativa se tornou uma importante ferramenta de fortalecimento da autonomia e do acesso à Justiça por mulheres, especialmente em comunidades populares.
Na busca por justiça e responsabilização pelos crimes cometidos durante a ditadura, a família Teles moveu, em 2005, uma ação declaratória contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Em 2008, a Justiça reconheceu Ustra como torturador, em uma decisão histórica sobre as violações cometidas durante o regime militar.
Ao longo de décadas de atuação, Amelinha Teles tornou-se uma das principais vozes na defesa da memória das vítimas da ditadura e na luta por uma sociedade democrática e livre de violência e discriminação. Seu trabalho também contribuiu para fortalecer a organização e a luta das mulheres por direitos no Brasil.
A Conectas se solidariza com familiares, amigas e amigos de Amelinha Teles e reconhece seu legado para a defesa dos direitos humanos, da democracia e dos direitos das mulheres no Brasil.