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Notícia
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27/10/2026

Morrem Daniela Fichino e Zilda Maria de Paula, defensoras dos direitos humanos

Conectas homenageia Daniela Fichino, advogada e diretora-adjunta da Justiça Global, com atuação na ADPF das Favelas, e Dona Zilda Maria de Paula, fundadora da Associação 13 de Agosto e referência no combate à violência de Estado



A Conectas Direitos Humanos lamenta o falecimento de Daniela Fichino e Zilda Maria de Paula, duas pessoas cuja trajetória contribuiu para a defesa dos direitos humanos no Brasil. Com diferentes formas de atuação, ambas dedicaram suas vidas ao enfrentamento das violações de direitos, à busca por justiça e à construção de uma sociedade mais justa e democrática.

Daniela Fichino: trajetória dedicada à justiça e à defesa dos direitos humanos

Advogada, comunicadora popular e diretora-adjunta da Justiça Global, Daniela Fichino, conhecida como Dani Fi, construiu uma trajetória de referência na promoção e defesa dos direitos humanos. Graduada em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Direito e Desenvolvimento pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutoranda em Teoria e Filosofia do Direito pela UERJ, articulou conhecimento jurídico, mobilização social e diálogo com instituições públicas, sempre em colaboração com vítimas, familiares, comunidades e movimentos sociais.

Sua atuação contribuiu para o enfrentamento de graves violações de direitos humanos no Brasil, especialmente por meio da incidência nacional e internacional e da busca por justiça e reparação às vítimas.

Daniela também participou da ADPF das Favelas (ADPF 635), ação que trata da letalidade policial e da proteção dos direitos fundamentais nas favelas do Rio de Janeiro, contribuindo para a incidência jurídica e a mobilização em torno do enfrentamento à violência de Estado. Atuou ainda de importantes iniciativas relacionadas ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos, envolvendo casos como a explosão da fábrica de fogos de Santo Antônio de Jesus (BA), as medidas provisórias relativas ao Complexo Penitenciário do Curado (PE), os casos Da Silva e Outros vs. Brasil e Muniz da Silva e Outros vs. Brasil, na Paraíba, e o Caso Mães de Cabo Frio vs. Brasil, relacionado às mortes de recém-nascidos na Clínica Pediátrica da Região dos Lagos (CLIPEL), no Rio de Janeiro.

Também  trabalhou em iniciativas relacionadas ao Caso Comunidades Quilombolas de Alcântara vs. Brasil, no Maranhão; aos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes; ao Caso Maicon de Souza Silva, Renato da Silva Paixão e Outros; ao Caso Luiza Melinho; ao Caso José Carlos da Silva e seus Familiares; e ao enfrentamento das graves violações de direitos humanos relacionadas à Operação Contenção, no Rio de Janeiro.

Em diferentes frentes, sua atuação esteve ligada à defesa da memória, da verdade, da justiça e da reparação, com atenção às vítimas, aos familiares e às comunidades atingidas pelas violações. Seu legado permanece nas lutas coletivas que ajudou a fortalecer e nas iniciativas construídas em defesa dos direitos humanos.

Zilda Maria de Paula: uma vida de luta por memória, verdade e justiça

Zilda Maria de Paula, a Dona Zilda, morreu em 23 de outubro de 2026, aos 74 anos. Fundadora da Associação 13 de Agosto, movimento que reúne mães e familiares das vítimas da Chacina de Osasco e Barueri, ela se tornou uma das principais referências na luta contra a violência de Estado em São Paulo.

Em 13 de agosto de 2015, seu único filho, Fernando Luiz de Paula, de 34 anos, foi assassinado na chacina que deixou 17 pessoas mortas nas duas cidades da região metropolitana de São Paulo. A partir dessa perda, Dona Zilda transformou o luto em mobilização e passou a atuar ao lado de outras mães e familiares na busca por justiça e na preservação da memória das vítimas.

Ao longo de mais de uma década, participou da organização de atos anuais em memória das pessoas assassinadas, fortalecendo a mobilização coletiva contra a violência policial e a impunidade. Sua trajetória também se aproximou da luta do Movimento Independente Mães de Maio, ao qual as mães de Osasco e Barueri se juntaram.

Em 2024, Dona Zilda recebeu o Prêmio Marielle Franco de Direitos Humanos, concedido pela Câmara Municipal de São Paulo, em reconhecimento à sua atuação.

Sua história expressa a força de mães e familiares que, diante da violência, se organizam para exigir respostas do Estado e afirmar que a memória das vítimas não pode ser apagada. A luta de Dona Zilda contribuiu para dar visibilidade às consequências da violência de Estado e para fortalecer a reivindicação por verdade, justiça e não repetição.

Legados que permanecem

As trajetórias de Daniela Fichino e Dona Zilda evidenciam a importância de diferentes formas de atuação na defesa dos direitos humanos: da incidência jurídica e internacional à mobilização popular conduzida por familiares de vítimas. Em comum, suas histórias reafirmam a centralidade das pessoas atingidas por violações e a necessidade de enfrentar a impunidade e garantir o direito à justiça.

A Conectas se solidariza com familiares, amigas e amigos, colegas e companheiras e companheiros de luta de Daniela Fichino e Zilda Maria de Paula. Suas contribuições permanecem nas lutas coletivas e no compromisso de todas as pessoas que seguem trabalhando por uma sociedade livre de violações, racismo e violência de Estado.

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